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Defender Direitos Humanos é uma pauta civilizatória!

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A Mãe de Santo – Mãe Inês de Oxum, fez as boas vindas pedindo a benção aos babalorixás, sacerdotes e sacerdotisas das religiões afro- brasileiras, além, de pedir um minuto de silêncio em respeito à perda de dezenas de lideranças religiosas que tiveram suas vidas ceifadas pela intolerância e ódio religioso, que, está acontecendo atualmente no Brasil.Assim iniciou a II Oficina Estratégica contra o Racismo Religioso, que, aconteceu nesta sexta (13) na Faculdade ESMAC. O evento que foi aberto ao público, contou com a presença da Comissão dos Direitos Humanos da OAB/ Pa, vários representantes e autoridades Afro religiosas, a Coordenadoria de Promoção de Igualdade e Diversidade de Ananindeua, a Frente dos Movimentos Sociais e Terreiros de Ananindeua, e, parlamentares representantes da Câmara Municipal de Ananindeua. A Programação contou com a formação de duas mesas de debates. A primeira mesa composta pelas representações afro religiosas, e, a segunda mesa com os parceiros institucionais. Os vereadores de Ananindeua que estiveram presentes foram:  Sérgio Rato, Robson Barbosa e Andrey Babalu.A oficina foi direcionada por Pai Denilson representante do Movimento Atitude Afro Pará falando sobre o enfrentamento do preconceito religioso em Ananindeua e região Metropolitana. “ A violação dos direitos da população de matrizes africanas vem acontecendo há um certo tempo, mas, hoje nosso terreiros estão em constante perigo. Precisamos nos fortalecer e nos empoderar nessa luta levando as informações de como acessar os instrumentos fundamentais como a Delegacia de Combate  à crimes de discriminatórios e homofóbicos, que tem desenvolvido um trabalho honroso junto aos movimentos sociais, e, as comissões de Direitos Humanos entre outros atores de interesse na pauta” explanou entre a apresentação de um slide e outro.A Diretora Acadêmica da ESMAC Professora Me Roberta Pantoja acolheu o evento, e, se manifestou “é uma honra receber a todos vocês em nossa Instituição. Entendemos que a Educação liberta, e, o conhecimento é essencial para trazer justiça, ética, respeito e tolerância. Entendemos que participamos de um Estado Laico, e, é muito importante esses debates serem cunhados dentro das Instituições de Ensino. Promovemos aqui este momento de propagação de um conhecimento, pois, nos preocupamos com a formação dos nossos profissionais que ano a ano entram no mercado de trabalho atuando na rede pública ou privada, saindo da ESMAC futuros juízes, desembargadores, delegados. Nos interessa que eles saiam bem orientados, conscientizados para atuarem de forma justa em suas respectivas funções” ressaltou.A Professora Mestre em Direitos Fundamentais Sandra Alves, falou da experiência das pesquisas empíricas e científicas dos alunos do curso de Direito e do curso de História nos terreiros de Ananindeua, além de expor fotos de campo.A aluna de Direito, Gloria Queiroz cursa o sétimo semestre na ESMAC, é filha de umbanda. Ela, considerou o momento como importante e único “ Eu não me escondo em minha religiosidade, em minha militância pelo Movimento Negro, mas, encontro muita resistência no Curso de Direito, tem alunos do curso que preferem não discutir temáticas que abordam questões como a intolerância religiosa ou o racismo, infelizmente. Contudo, penso que, é preciso que seja profundado o debate, que perpasse por esse viés da intolerância às leis que estão no entorno jurídico nos povos de matrizes africanas e suas religiões. Pois, perpassa inclusive pela Constituição. Felizmente, aqui na ESMAC eu já tive composição de grupo que foi pro terreiro fazer pesquisa científica e isso é uma esperança de desconstrução de pensamento, caminhamos para um futuro esperançoso”. Glória também destacou, que, se sente muito orgulhosa por estar cursando Direito na ESMAC, visto que, ainda são poucos Negros nas Faculdades do País, e, esse número reduz mais ainda quando se trata de mulheres.  A representante da OAB/ Pa Dra Juliana Fonteles, que é, da Comissão dos Direitos Humanos defensora de Liberdade Religiosa e Igualdade Racial e Quilombola parabenizou a instituição por ter aberto suas portas ao importante evento, disse “ Está no Art. 23 do Estatuto de Igualdade Racial – É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias – Diálogos em espaços como este, da Faculdade ESMAC, são fundamentais para combater o momento dramático em que vivemos no Brasil, onde há um clima de intolerância assustador, contra os Povos de raízes e os povos que vieram escravizados, aos quais, temos dívidas históricas. Afinal, eles construíram esse País. Defender Direitos Humanos não é uma pauta de Direita ou de Esquerda, e, sim, uma pauta civilizatória” concluiu a Advogada.

Texto e fotografia: Lucy Silva

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