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AUTOMEDICAÇÃO E O PERIGOSO CORONAVÍRUS

 em ESMAC In Dica, Noticias
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O Ministério da Saúde chamou a atenção, esta semana,  para o cuidado com a automedicação pedindo cautela em relação ao uso do ibuprofenocaptopril e enalapril, no caso medicamentos de uso contínuo, ponderando que a medicação não pode ser suspensa.A Coluna ESMAC in Dica pediu orientações para a Docente do curso de Farmácia da Faculdade ESMAC, Vanessa Guimarães, que, respondeu sobre os perigos da automedicação, com atenção redobrada à pandemia do coronavírus que espalha-se no Brasil.A Doutoranda do Programa de Pós- graduação em Doenças Tropicais pela Universidade Federal (UFPA) é Mestre em Doenças Tropicais além de Especialista em Farmacologia Clínica e Saúde Pública. A Professora Vanessa iniciou sua atuação científica no Instituto Evandro Chagas, já atuou como farmacêutica no Programa Farmácia Popular do Ministério da Saúde, ingressando no Serviço Militar da Força Aérea Brasileira como Oficial Farmacêutica- Bioquímica, já é Professora na ESMAC desde 2010.

1 – O uso de analgésicos pode mascarar doenças sérias?

Professora Vanessa: Sim, existe a possibilidade do  medicamento mascarar os sintomas de doenças como as infecções em geral, o que poderia atrasar o diagnóstico e fazer com que sejam identificadas em estágios mais avançados.

 2 – Usar antibióticos sem necessidade pode tornar as bactérias       resistentes?

Professora Vanessa: Certeza. Para entender o mecanismo de resistência aos antibióticos, é preciso compreender que a nossa defesa imunológica, é constituída de microrganismos como as bactérias. Esse mecanismo de proteção individual é conhecido como microbiota normal. Então, antibióticos usados de formas inadequadas, como é o caso da automedicação, as bactérias são expostas repetidas vezes ao uso, estimulando o aparecimento de superbactérias resistentes aos tratamentos com antibioticoterapia disponível.

 3 – Relacionando às drogas chamadas “inibidores da conversão da enzima da angiotensina” (IECA), nesse contexto do Coronavírus, usadas normalmente para o tratamento de pessoas que sofrem de pressão arterial.  Como proceder?

Professora Vanessa: Segundo A Organização Mundial de Saúde (OMS), no momento, não há evidências clínicas para fazer recomendações ou alterar o tratamento de pacientes que fazem uso atualmente dessas classes de medicamentos.  Desta forma, pacientes em uso crônico, desses medicamentos não devem interromper o tratamento, exceto se houver a recomendação de um médico.

4 –  Nesse contexto, explicaria o motivo pelo qual hipertensos, pessoas com doenças cardíacas e diabéticos estarem na classificação de grupos vulneráveis?

Professora Vanessa: Essas pessoas já têm o sistema imunológico naturalmente comprometido e seus corpos têm mais dificuldades para reagir a sobrecarga causada pela infecção.Perguntada sobre a busca de orientação com um farmacêutico,  como forma de evitar a automedicação, Professora Vanessa foi taxativa “O farmacêutico é um profissional de fácil acesso para uma orientação quanto ao uso correto de medicamentos, evitando a automedicação que pode retardar o diagnóstico da doença causada pelo novo coronavírus. E mais, estamos no inverno amazônico, as chuvas estão mais intensas desde dezembro. O clima favorece o convívio de bactérias em ambientes fechados, e, esse é um fator de preocupação em situação de epidemia causada por um vírus transmitido por vias respiratórias” finalizou.

O Ministério da Saúde já destacou a importância estratégica das Farmácias neste momento em que o Brasil, e assim como os demais países, se mobiliza para conter a pandemia da doença causada pelo novo coronavírus. Diante disso o Conselho Federal de Farmácia (CFF) elaborou um Plano de resposta para as Farmácias Privadas e Públicas da Atenção Primária, que visa garantir a segurança dos pacientes, dos trabalhadores da saúde e da população, e a prestação de serviços, mantendo o acesso a medicamentos, produtos para a saúde e cuidado em saúde (NHS, 2020; FIP, 2020).

Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta terça-feira (10) que pessoas com sintomas do novo coronavírus não usem ibuprofeno para aliviá-los. Paralelamente, as autoridades francesas alertaram que os medicamentos anti-inflamatórios poderiam piorar os efeitos da Covid-19.

As advertências do ministro da Saúde da França, Olivier Veran, chamaram atenção do mundo e foram baseadas em um estudo publicado pela revista científica The Lancet na quarta-feira (11). O trabalho sustenta a hipótese de que uma enzima estimulada pelo ibuprofeno e outras drogas semelhantes pode facilitar e piorar as infecções por vírus.

O porta-voz da OMS na sede da entidade, em Genebra, Christian Lindmeier, disse a repórteres que especialistas da ONU “estão analisando o assunto” — Enquanto isso, recomendamos o uso de paracetamol e não usar ibuprofeno como automedicação. É importante — disse. Ele explica que o ibuprofeno, um dos anti-inflamatórios mais usados no mundo, aumenta a expressão de uma enzima das células do pulmão, a ECA2, justamente a que combina com o coronavírus, o seu receptor. Com mais enzimas, aumentará também a intensidade do vírus e a probabilidade de quadros mais graves da Covid-19. (Extra/2020).

Especialistas ouvidos pela BBC dizem que, por precaução, é melhor dar preferência para paracetamol ou dipirona em caso de febre e suspeita de coronavírus. Mas também é preciso tomar cuidado com o pânico e jamais abandonar medicamentos prescritos por um médico sem consultá-lo.

Texto: Lucy Silva

Foto: Acervo pessoal

Imagem: ASCOM ESMAC

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